segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Suas mãos buscavam por algo incansável. Havia uma escuridão que lhe cercava, uma escuridão que vinha dela mesma, envolvendo-lhe e apertando-lhe. Aquela escuridão vinha de dentro, de seu coração, se ainda ousasse dizer que tinha um. Estava se afundando em próprio veneno, tirando seus próprios vestígios de vida, estava se matando a cada respirar. Talvez fosse drama, talvez fosse loucura, mas ela sentia que estava podre por dentro. Podre, suja, imunda e sem nenhum motivo para lutar. Todos lhe viraram as costas, fugiram de suas palavras ou trocaram-lhe por qualquer coisa. Comparavam-na com um brinquedo velho, jogavam-na fora sem se importar com seus sentimentos, trocavam-lhe por um brinquedinho novo, quebravam-na e faziam o que queriam com ela. Ela estava cansada de ser usada, quebrada e largada. Estava cansada de tudo e de todos. Daquela maldita falsidade, da dor e do sofrimento. Tentara incansavelmente fugir para dentro de seu casulo idiota, fingir que não tinha sentimento e tentar aguentar. Na verdade, ela estava fugindo de si mesma. Todavia, é impossível fugir de quem você é. E ela era muitas coisas. Uma ignorante egoísta, sofredora por nascença, ingênua, burra, patética… Ela era inúmeras coisas ruins. Não podia se deixar enganar. Estava cansada de fingir, fingir que tudo estava bem e que tudo daria certo. Estava cansada de existir. A janela estava aberta, a garota estava deitada no chão, um caco de vidro pontiagudo encontrava-se ao seu lado, e o sangue imundo pingava de seus braços, fazendo com que uma pequena poça se formasse. Os cortes ainda ardiam e sua cabeça ainda latejava. Prometera para si mesma que nunca mais faria aquilo. Mas havia uma opção? Nunca houvera. Sua blusa também estava empapada de sangue, sangue que viera de seu peito, de uma ferida que já estancara, aquela ferida que fizera mais cedo, sobre seu seio esquerdo. Havia sangue por todos os lados, literalmente. Sangue imundo, sangue dela. Pegou o caco de vidro, suas mãos tremiam, e encostou sua ponta, novamente, no braço direito, fincou o vidro e gemeu de dor, o corte fora fundo, perfurara sua alma, afinal. Sentiu sua respiração ofegar, seus batimentos se tornaram acelerados e sua visão ficou turva. Desta vez perfurara demais. Porém, gostava da dor, pois se agarrava nela, a Dor se tornara sua melhor e mais fiel amiga. Aliás, a Dor era sua única amiga. Largou o caco de vidro dentro da poça de sangue, observou-o por alguns minutos e depois se levantou lentamente. Estava tonta. Caminhou até a sacada, inalou o vento puro e limpo que vinha até suas narinas e desejou voar como um pássaro. Pássaros eram livres, livres como ela nunca fora. Fechou os olhos, pisou na ponta dos pés, como uma bailarina, e pulou. Pulou ao encontro da sua liberdade, ao encontro de sua morte. A maldita garota sorria.

 
Suas mãos buscavam por algo incansável. Havia uma escuridão que lhe cercava, uma escuridão que vinha dela mesma, envolvendo-lhe e apertando-lhe. Aquela escuridão vinha de dentro, de seu coração, se ainda ousasse dizer que tinha um. Estava se afundando em próprio veneno, tirando seus próprios vestígios de vida, estava se matando a cada respirar. Talvez fosse drama, talvez fosse loucura, mas ela sentia que estava podre por dentro. Podre, suja, imunda e sem nenhum motivo para lutar. Todos lhe viraram as costas, fugiram de suas palavras ou trocaram-lhe por qualquer coisa. Comparavam-na com um brinquedo velho, jogavam-na fora sem se importar com seus sentimentos, trocavam-lhe por um brinquedinho novo, quebravam-na e faziam o que queriam com ela. Ela estava cansada de ser usada, quebrada e largada. Estava cansada de tudo e de todos. Daquela maldita falsidade, da dor e do sofrimento. Tentara incansavelmente fugir para dentro de seu casulo idiota, fingir que não tinha sentimento e tentar aguentar. Na verdade, ela estava fugindo de si mesma. Todavia, é impossível fugir de quem você é. E ela era muitas coisas. Uma ignorante egoísta, sofredora por nascença, ingênua, burra, patética… Ela era inúmeras coisas ruins. Não podia se deixar enganar. Estava cansada de fingir, fingir que tudo estava bem e que tudo daria certo. Estava cansada de existir.
A janela estava aberta, a garota estava deitada no chão, um caco de vidro pontiagudo encontrava-se ao seu lado, e o sangue imundo pingava de seus braços, fazendo com que uma pequena poça se formasse. Os cortes ainda ardiam e sua cabeça ainda latejava. Prometera para si mesma que nunca mais faria aquilo. Mas havia uma opção? Nunca houvera. Sua blusa também estava empapada de sangue, sangue que viera de seu peito, de uma ferida que já estancara, aquela ferida que fizera mais cedo, sobre seu seio esquerdo. Havia sangue por todos os lados, literalmente. Sangue imundo, sangue dela. Pegou o caco de vidro, suas mãos tremiam, e encostou sua ponta, novamente, no braço direito, fincou o vidro e gemeu de dor, o corte fora fundo, perfurara sua alma, afinal. Sentiu sua respiração ofegar, seus batimentos se tornaram acelerados e sua visão ficou turva. Desta vez perfurara demais. Porém, gostava da dor, pois se agarrava nela, a Dor se tornara sua melhor e mais fiel amiga. Aliás, a Dor era sua única amiga.Largou o caco de vidro dentro da poça de sangue, observou-o por alguns minutos e depois se levantou lentamente. Estava tonta. Caminhou até a sacada, inalou o vento puro e limpo que vinha até suas narinas e desejou voar como um pássaro. Pássaros eram livres, livres como ela nunca fora. Fechou os olhos, pisou na ponta dos pés, como uma bailarina, e pulou. Pulou ao encontro da sua liberdade, ao encontro de sua morte. A maldita garota sorria. 

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